Portinari volta para casa


Em 1952,o então Secretário Geral da ONU, Sr. Trygve Lie, sugere que cada nação membro da Organização das Nações Unidas faça uma contribuição cultural àquela instituição cuja sede está sendo construída.

O projeto foi desenvolvido pela Comissão Internacional dos Arquitetos da ONU, chefiada por Wallace K. Harrison e que teve Oscar Niemeyer como um de seus membros.

O governo brasileiro, através do Ministro das Relações Exteriores na época, João Neves da Fontoura, encomenda então a Portinari, dois painéis que serão oferecidos à ONU, para decorar sua sede.

Em 1953, as maquetes estão prontas.

Em 1954, Portinari mostra as maquetes na exposição em homenagem ao IV Centenário da cidade de São Paulo, realizada no Museu de Arte de São Paulo/MASP.

Nesta ocasião as duas maquetes já estavam aprovadas pela Junta Assessora de Arte da ONU.

Ainda em 1954, Portinari sente com maior frequência os sintomas de intoxicação pelas tintas, e o artista fica, por determinação médica, algum tempo sem pintar. Aparentemente é o chumbo das tintas a causa da doença. Portinari refere-se à determinação médica: “Estou proibido de viver”.

Portinari pintou quatorze grandes quadros a óleo, e fez ainda mais duas maquetes para servir de modelo.

Portinari teria gostado de ter pintado os painéis no próprio local na ONU, em Nova York, mas o artista não obteve o visto de entrada para os Estados Unidos em razão de suas convicções políticas: Portinari era comunista e na época os EUA viviam o período do Macartismo.

A execução dos painéis começa, então no Rio de Janeiro, em março de 1955, em galpão da TV Tupi cedido a Portinari por Assis Chateaubriand e estará concluída em janeiro de 1956.

Segundo Enrico Bianco, as condições de trabalho eram precárias.

Antes de embarcar para Nova York, os painéis são expostos no Teatro Municipal. A inauguração foi feita pelo Presidente Juscelino Kubischeck.

Uma vez em Nova York, os painéis ficaram guardados por um ano e seis meses por divergência a respeito de onde seriam definitivamente montados.

Foram gastos US$ 20.000,00 para sua instalação no hall dos Delegados da Assembleia Geral.

Os painéis foram inaugurados em 6 de setembro de 1957, sem a presença de Portinari. Estavam presentes entre os brasileiros o Embaixador Cyro de Freitas Valle, o chefe da Comissão de Organismos Internacionais, Jayme de Barros e sua mulher Marina de Barros, a Consul do Brasil, em Nova York, Dora Vasconcellos e a própria Rosinha Leão.

Finalmente e com mecenato de R$ 7 milhões do BNDES, para a restauração, os painéis de Cândido voltarão ao Rio! Vamos aguardar a exposição!

fonte http://www.portinari.org.br/

Paz e Arte!

 

 

 

2 Respostas para “Portinari volta para casa

  1. Oi Luciane! É bom ver um quadro como esse voltar pra casa, né? Guerra e Paz é muito simbólico, e retrata uma fase frágil de Portinari, aquela em que ele está proibido de pintar. Parabéns pelo blog, continua interessantíssimo! Bj.

    • Oi Renan! Desejo a você e a todos os seus um Feliz Natal e um 2011 com muita paz e realizações! E que o nosso Portinari possa ser apreciado por nós, assim como tantas outras obras de grandes artistas nossos, que hoje não estão em nosso país. Fiquei muito impressionada com a história de Portinari e com o infeliz preconceito do qual foi vítima. Agradeço a sua presença no blog, comentários e o olhar sempre generoso! Paz e Arte!

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